Esta Da Governação de Deus, de Salviano, trata-se de mais uma obra semelhante à Cidade de Deus, de Santo Agostinho, mas com uma “pequena” alteração… se, no caso dessa outra obra, são mostrados todo um conjunto de argumentos para provar que a queda do Império Romano não se devia ao Cristianismo, já aqui essa mesma queda é atribuída tanto aos romanos como aos cristãos. Por estranho que parece, Salviano tece todo um conjunto de considerações que exaltam o modo de vida bárbaro, por comparação com o dos romanos tão repletos de vícios, e o dos cristãos (que já o pareciam ser só em nome).
Ao longo dos sete livros da obra, o autor vai então mostrando que os bárbaros [do norte] pareciam mais civilizados e correctos que os romanos e os cristão, razão pela qual Deus os favoreceu e os levou a múltiplas conquistas. Os argumentos vão sendo apoiados não só com citações das escrituras mas também com elementos retirados de textos tão conhecidos como a República de Platão. Porém, por vezes esses argumentos são até demasiado discutíveis – por exemplo, quando Platão escreve que os homens e mulheres deveriam ser comuns a todos, Salviano vê aí um apoio a uma horrenda poligamia – o que parece fazer crer que, mais do que argumentar logicamente, o autor está a procurar elementos que possam ser alterados de uma ou outra forma até servirem o seu propósito.
De uma forma geral a obra pareceu-me interessante, mas demasiado repetitiva em alguns pontos, já que o autor passa demasiado tempo a focar-se nas mesmas questões, e por vezes até a repetir as mesmas coisas de formas diferentes.
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos-300x199.jpg)





Não conhecia: obrigado! Onde encontraste a obra?
Quero eu dizer, onde encontraste uma edição da obra para leres?
Esta obra foi-me oferecida por um colega, juntamente com algumas outras, para a minha biblioteca pessoal. É uma edição de 1930, com tradução de Eva Sanford, e tanto quanto sei – fui procurar para responder a esta mensagem – está facilmente disponível online.
Obrigado!
De nada, é para isso que cá estou.