“Comentário às Geórgicas de Virgílio”, de Sérvio – disponível em tradução!

Trazemos hoje a público mais uma tradução recente, o Comentário às Geórgicas de Virgílio, da autoria de Sérvio, que ainda não existia em nenhuma língua moderna. Se, por um lado, até preferíamos disponibilizá-lo gratuitamente, visto que há uns meses atrás descobrimos que um certo “espertalhão” roubou um dos nossos trabalhos anteriores, mudou-lhe o nome e reeditou-o como se fosse obra sua… é natural que não possamos continuar a fazê-lo nesse mesmo modelo, original, de gratuitidade.

 

Então, este texto traduzido pode agora ser adquirido na Amazon, em tradução para língua inglesa. Faria aqui talvez mais sentido tê-lo traduzido para Português, mas, como é habitual, decidiu-se que uma tradução para o Inglês permitia um acesso maior

 

Mas então, de que fala este Comentário às Geórgicas de Virgílio, da autoria de Sérvio, datada provavelmente do século IV ou V da nossa era? De um ponto de vista neutro, temos de admitir que é uma obra interessante para quem quiser mergulhar a fundo numa das obras do autor do mais famoso épico latino, mas ela passa, essencialmente, por ser uma espécie de texto companheiro das Geórgicas de Virgílio, em que este outro autor explica alguns dos muitos versos escritos pelo seu antecessor. A razão porque a traduzimos passa, mais que tudo, pelo facto de em alguns momentos esta obra completar os mitos contados pelo autor da Eneida, alguns dos quais não são muito comuns ou conhecidos nos nossos dias.

 

E, para quem tiver interesse no tema, recorde-se então que também já fizemos uma tradução à grande obra deste mesmo autor, o Comentário à Eneida de Virgílio

“Comentário às Éclogas de Virgílio”, de Sérvio – disponível em tradução!

Trazemos hoje a público a nossa mais recente tradução, o Comentário às Éclogas de Virgílio, da autoria de Sérvio, que ainda não existia em nenhuma língua moderna. Se, por um lado, até preferíamos disponibilizá-lo gratuitamente, visto que há uns meses atrás descobrimos que um certo “espertalhão” roubou um dos nossos trabalhos anteriores, mudou-lhe o nome e reeditou-o como se fosse obra sua… é natural que não possamos continuar a fazê-lo nesse mesmo modelo, original, de gratuitidade.

 

Então, este texto traduzido pode agora ser adquirido na Amazon, em tradução para língua inglesa. Faria aqui talvez mais sentido tê-lo traduzido para Português, mas, como é habitual, decidiu-se que uma tradução para o Inglês permitia um acesso maior

 

Mas então, de que fala este Comentário às Éclogas de Virgílio, da autoria de Sérvio, datada provavelmente do século IV ou V da nossa era? De um ponto de vista neutro, temos de admitir que é uma obra interessante para quem quiser mergulhar a fundo numa das obras do autor do mais famoso épico latino, mas ela passa, essencialmente, por ser uma espécie de texto companheiro das Éclogas de Virgílio, em que este outro autor explica alguns dos muitos versos escritos pelo seu antecessor. A razão porque a traduzimos passa, mais que tudo, pelo facto de em alguns momentos esta obra completar os mitos contados pelo autor da Eneida, alguns dos quais não são muito comuns ou conhecidos nos nossos dias.

 

E, para quem tiver interesse no tema, recorde-se então que também já fizemos uma tradução à grande obra deste mesmo autor, o Comentário à Eneida de Virgílio

“Comentário à Eneida de Virgílio”, de Sérvio – agora disponível em tradução!

O Comentário à Eneida de Virgílio, de Sérvio, já cá tinha sido falado em breves linhas há uns anos atrás, mas hoje regressamos ao tema para anunciar que, finalmente, já tornámos disponível a nossa tradução da obra para Inglês. Ela está disponível na Amazon a um valor puramente simbólico, mas sofre de um problema muito significativo… ao qual já voltaremos!

Comentário à Eneida de Virgílio, de Sérvio

Então, de que fala esta obra, para que ainda não a conhecer? Escrita por volta do século IV ou V da nossa era, este Comentário à Eneida de Virgílio pega na famosa obra latina e tenta explicar as suas sequências menos simples, quase verso a verso. Em alguns instantes o autor conta mitos que foram entretanto esquecidos (como o do Cavalo Ulisses!), naquela que é – para nós – sem dúvida a parte mais interessante de toda a obra. Mas, além disso, ele também tenta explicar o significado de determinadas expressões que pareciam ter caído em desuso, alguns pontos culturais menos simples, e mesmo identificar recursos estilísticos que, se até existem, a maior parte de nós nem sequer ouviu falar nos bancos de escola.

Não é, admita-se, uma obra que dê muito prazer em ler numa forma sequencial (seria como tentar ler uma enciclopédia…), mas é muito única e repleta de um saber frutífero, que a torna imprescindível não só para o estudo da Eneida, mas também para a compreensão das múltiplas fontes literárias que tanto Virgílio como Sérvio tinham à sua disposição. Se muitas delas estão hoje perdidas, como os Anais de Énio ou os poemas do Ciclo Épico, pelo menos este texto permite-nos ter um acesso limitado a elas, em especial nos momentos em que se intersectam com os temas abordados por Virgílio no seu famoso poema épico.

 

São, para nós, foram os momentos mitológicos deste Comentário à Eneida de Virgílio que nos conduziram a uma necessidade da sua tradução (o texto ainda não existia traduzido em nenhuma língua moderna), também houve um problema muito significativo no decurso deste trabalho. De facto, e na verdade, não foi apenas um… mas sim uma sequência de problemas que, uma e outra vez, durante mais de cinco anos foram levando ao adiamento do projecto. Ele chegou a estar proverbialmente fechado numa gaveta, quase esquecido, sem que ninguém lhe tocasse, até que tivemos de tomar uma decisão – ou ele ficava lá para sempre, ou deveríamos publicar o que já estava feito. Isso implicaria, neste caso, publicar uma tradução incompleta para uma obra da qual até já existiam diversas traduções igualmente incompletas. Isso seria uma perda de tempo, razão pela qual optámos por publicar esta tradução na forma como estava – ela cobre o livro completo, mas a tradução, em si mesma, não foi editada e revista extensamente verso a verso, mas foi editada apenas com recurso a Inteligência Artificial, que comparou a tradução com o original e nos foi avisando do que estava bem e mal. Foi um processo muito pouco fiável, mas o único que nos pareceu possível para gerar esta tradução tosca mas completa, a que provavelmente voltarmos no futuro com esperança de a melhorar.

 

Vale então a pena ler este Comentário à Eneida de Virgílio? A resposta, neste caso específico, depende muito do contexto do próprio leitor, mas podemos deixar uma sugestão – se for lido em paralelo com o próprio poema épico latino, ele permite conhecer mais e melhor um conjunto de pontos que escapam aos leitores comuns. É, por isso, uma obra que anda de braços dados com a Eneida, e que talvez mereça ser lida juntamente com ela por todos aqueles que têm interesse em conhecer melhor essa grande obra dos Romanos!

 

P.S.- A obra estará na Amazon 100% grátis durante o dia de amanhã, por isso… aproveitem a oportunidade para a descarregar sem qualquer custo, se assim o desejarem!

“Antirrhetikos”, de Evágrio Pôntico

Evágrio do Ponto, também conhecido por Evágrio Pôntico, é um daqueles autores de finais da Antiguidade que raramente se lê. Talvez um ou outro estudante de Teologia o faça, mas entre as suas criações conta-se um texto de título Antirrhetikos, que é como quem diz “Argumentos Contra”… e contra o quê, poderia perguntar? É precisamente essa ideia, mais do que o próprio conteúdo da obra, que a torna digna de ser mencionada por cá.

Antirrhetikos, de Evágrio Pôntico

Evágrio Pôntico, como muitos outros Cristãos da sua época, era um monge, vivendo, pelo menos em teoria, em completa solidão. Esse afastamento da humanidade levou-o, como é comum em casos como esses, a sentir o ataque dos demónios… frise-se que, pelo menos neste contexto, eles não eram “monstros” reais, físicos, como os famosamente encontrados por Santo Antão, mas metáforas para as tentações que iam sendo encontradas pelos monges na sua solidão religiosa.

Face ao problema, este Evágrio Pôntico decidiu então categorizar esses seus opositores em oito grupos – a Gula, a Fornicação, o Amor pelo Dinheiro, a Tristeza, a Raiva, a Apatia, a Vanglória e o Orgulho [Desmesurado] – que posteriormente levaram aos chamados “Sete Pecados Mortais”. Porém, não se limitou a categorizá-los assim, mas também em encontrar as suas múltiplas facetas e a forma de como as combater, utilizando os próprios textos bíblicos contra esses inimigos. Vejamos três breves exemplos:

Contra a alma que pensa que a humildade perfeita não é possível à natureza humana:
E era o homem Moisés muito manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra. (Núm 12:3)

Contra a alma que não está convencida que até Satanás imita o Anjo da Verdade e se torna um professor de falso conhecimento:
E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras. (2 Cor 11:14-15)

Contra os pensamentos que levam o intelecto a blasfemar contra Deus:
Porventura, por Deus falareis perversidade e por ele enunciareis mentiras? (Jó 13:7)

É essencialmente assim que funciona esta obra, Antirrhetikos – o seu autor menciona, de uma forma breve, um determinado problema “filosófico” que tendia a afectar os monges na sua solidão, e depois providenciava uma frase, ou uma sequência bíblica mais alongada, com ela relacionada, destinada a combater esse inimigo psicológico. O que talvez não seja tão interessante como a ideia acima podia sugerir – hoje, em circunstâncias como essas, pensa-se mais em exorcismos como o de Anneliese Michel – mas nos preserva um momento da história da Igreja em que a Bíblia, e apenas os seus textos, se viam como a cura para todos os problemas.

O eterno mito de Nero Redivivus

A razão porque hoje aqui contamos o mito de Nero Redivivus * merece ser contada. Há algumas semanas vieram pedir-nos exemplos de um tipo de história lendária em que um rei desaparece mas se diz que voltará em alguma altura no futuro. Existem pelo menos dois exemplos muito significativos na nossa cultura ibérica (o nosso famoso Sebastianismo e o Rei Rodrigo), entre muitos outros pelo mundo fora (como o do Rei Artur e Avalon), e isto levou a que a mesma pessoa quisesse saber qual a versão mais antiga de uma história com essas características essenciais. Não é uma pergunta fácil de responder – até certo ponto, a vida de Jesus Cristo poderia ser incluída nessa categoria de potenciais histórias – mas uma das mais antigas versões que conhecemos merece ser apresentada aqui em virtude de possuir uma característica muito única e também pela sua influência significativa na cultura ocidental.

O mito de Nero Redivivus

Neste tipo de histórias é vulgar que o monarca seja uma figura bondosa, um símbolo de esperança ou de uma época idílica que os crentes desejam que volte ao nosso mundo numa época presente ou futura. Porém, no caso do mito de Nero Redivivus, a história refere-se é, em alternativa, a uma figura maldosa que se pensava que voltaria no futuro para continuar o seu antigo reino de terror. Parece que toda essa trama derivou do facto de após a morte de Nero, em 68 d.C., terem surgido várias pessoas que diziam ser ele, e que em comum tinham habitualmente o facto de se parecerem com o falecido e tocarem lira, numa potencial alusão à agora famosa história do fogo de Roma.

 

Se fosse só isto o que havia para dizer sobre o mito de Nero Redivivus e provavelmente nem lhe estaríamos a dedicar estas linhas. No entanto, nos Oráculos Sibilinos, em sequências aparentemente associáveis a finais do primeiro século da nossa era, surge primeiro a ideia, numa forma escrita, de que este Nero tinha fugido para uma terra distante e andava a juntar um enorme exército para regressar e destruir completamente Roma (ou todo o Império Romano, já que o objectivo de toda essa sua destruição não é claro). O que isto tem de muito interessante é que as sequências em questão parecem ter sido escritas mais ou menos na mesma época que o bíblico Livro do Apocalipse, em que este mesmo imperador pode ser identificado na figura da Prostituta da Babilónia e/ou do misterioso Anticristo, como Santo Agostinho o fez na sua Cidade de Deus. Por isso, mesmo que hoje já quase ninguém conheça o breve mito referido acima, em dada altura ele marcou tão significativamente a cultura ocidental que esta sua história mereceu ser colocada por escrito e ainda pode ser encontrada, de uma forma oblíqua, num texto bíblico que continua a ser lido nos nossos dias.

 

 

*- O Latim Redivivus pode aqui ser traduzido como “retornado” ou “regressado”.