A horrenda origem do Monstro de Frankenstein

Há alguns anos falámos aqui sobre quem poderá ter sido o verdadeiro (Doutor) Frankenstein. Na altura, por referência ao nome, concluiu-se que “O nome é alemão, mas não parece designar nenhum ser humano do passado em concreto; já a história escrita por Mary Shelley, que ainda hoje é muito conhecida sob esse mesmo nome, poderá ter-se baseado num caso bem real, o de Johann Konrad Dippel, que tal como o doutor da história terá tentado criar vida humana com as suas próprias mãos”, mas pouco ou nada foi dito sobre o estranho monstro que essa personagem criou na novela. É, então, esse o tema ao qual dedicamos as linhas de hoje.

 

 

Quando se pensa no Monstro de Frankenstein, que hoje até é mais conhecido pelo nome do tal cientista que o criou, pensa-se num estranho monstro compósito, com partes de vários corpos, que no seu conjunto foram trazidas de volta à vida pelo poder da electricidade. Até ainda nos são famosas as palavras do cientista nessa altura, “It’s alive, IT’S ALIVE!”, mas o que pouca gente ainda parece saber é que… a ideia é completamente real. Sim, por estranho que pareça é mesmo possível provocar movimentos que simulavam sinais de vida ao que já está morto!

 

 

Por volta do ano de 1780, um tal Luigi Galvani, italiano, descobriu que ao aplicar electricidade às pernas de uma rã morta, conseguia que estas se movessem. Outros estudiosos se seguiram, como Alessandro Volta, e o processo ficou conhecido como “Galvanismo”. Algum tempo depois, apareceu um homem, de nome Giovanni Aldini, que começou a levar essas experiências um pouco mais longe, fazendo coisas como esta:

A horrenda origem do Monstro de Frankenstein

Para quem não perceber muito bem o que se passa aqui, esta gravura, presente num dos seus livros, mostra Aldini a aplicar electricidade à cabeça decepada de um touro, fazendo com que este se movimentasse um pouco. Ele conduziu muitas outras experiências, mas a mais famosa parece ter sido uma que envolveu George Forster, um assassino morto na forca em Londres, a 18 de Janeiro de 1803… com este mesmo poder da Ciência, o cientista italiano foi então capaz de fazer movimentar o corpo do falecido, levando-o, por exemplo, a movimentar a boca, a abrir um dos olhos, a mexer os braços e pernas, etc. E, nessa mesma altura, a autora que viria a ficar conhecida pelo nome de Mary Shelley tinha cerca de cinco anos de idade, quando Giovanni Aldini continuava com experiências como estas, entre muitas outras.

 

 

Face a uma tão estranha ocorrência, a que se poderão ter juntado algumas experiências pessoais alguns anos mais tarde, é muito provável que esta autora de Frankenstein tenha ouvido falar desta  situação e algumas outras a ela semelhantes, e isso a tenha inspirado à ideia por detrás da sua obra – a de que, com mais uns anos de pesquisa, o tal Galvanismo seria capaz de conseguir um verdadeiro milagre (como o do Monstro de Frankenstein). Cremos que nunca se chegou verdadeiramente a esse ponto científico, mas se era possível fazer movimentar cabeças de bois e corpos inteiros de falecidos, como não pensar que, mais cedo ou mais tarde, os próprios mortos – ou, em outras versões, as suas mais diversas peças – poderiam vir a ser conjugadas, como se de um puzzle se tratassem, e trazidas completamente de volta à vida?

 

 

É nesse ponto que a origem do Monstro de Frankenstein se mostra como verdadeiramente horrenda. Parece ficção, a mais pura das ficções literárias, mas existiu, de facto, uma altura da história da humanidade na qual se acreditava no poder quase infinito da Ciência. Esse é um momento histórico de que os livros e os filmes já pouco nos recordam, mas que o tempo fez cristalizar na figura das estranhas experiências do Doutor Frankenstein e do monstro, meio-homem e meio-criatura, que bem conhecemos hoje em dia. Não é pura ficção, como se poderia pensar, mas um exagero dos antigos poderes do Galvanismo, levados ao seu extremo, numa história que até nos poderá fazer pensar nos limites da Ciência – tanto a do seu tempo, como até a dos nossos próprios dias.

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2 comentários em “A horrenda origem do Monstro de Frankenstein”

  1. Muitíssimo interessante. Gosto muito da vossa página. Não a dispenso porque com ela aprendo. Muitos parabéns. obrigada.
    Carminda Canha.

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