Alguns vídeos relativos à cidade de Lisboa

Por vezes o Canal História exibe pequenos documentários, após a apresentação dos programas principais, os quais nunca vão além dos 5 minutos. Uma dessas séries, que é bastante difícil de seguir devido à inconstância dos episódios (a título pessoal, posso até dizer que já vi um determinado episódio mais de uma dezenas de vezes), fala sobre “Lisboa debaixo da terra”, ou seja, um conjunto de histórias subterrâneas da capital que ainda muito poucos conhecem. Creio que alguns dos episódios são mais interessantes que outros, mas aqui ficam três deles, os mais relevantes para a Lisboa tal como era conhecida pelos Romanos – as Galerias Romanas, o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros (até muito próximas das anteriores), e o Teatro Romano:

Existem muitos mais, mas estes são os que considero relevantes no contexto deste blog. Dão um pouco que pensar, relativamente a que outras coisas se poderão esconder debaixo das grandes cidades de todo o mundo…

Galerias Romanas em Lisboa

Há já quase um mês tive a oportunidade de visitar as Galerias Romanas em Lisboa, na Rua da Prata, que foram descobertas após o terramoto de 1755.

Galerias Romanas em Lisboa

Infelizmente, estas só estão abertas uma vez por ano, normalmente durante três dias, e no meu caso pessoal tive de aguardar cerca de seis horas numa fila para ter direito a uma visita guiada. Do ponto de vista artístico e histórico, este criptopórtico tem hoje muito pouco para ver, pelo que recomendo uma visita a mero título de curiosidade, e se for totalmente impossível uma visita ao Criptopórtico de Coimbra. Segundo texto do Museu da Cidade, a parte visitável destas Galerias Romanas em Lisboa é composta por:

— Pequenos compartimentos (celas) dispostos lateralmente a algumas das galerias, que poderão ter sido utilizados na época romana como áreas de armazenamento

— Arcos em cuidada cantaria de pedra almofadada, técnica típica dos inícios da época imperial romana

— Abóbadas, onde são visíveis as marcas das tábuas de madeira que serviram para a sua construção e onde se pode observar várias aberturas circulares que serviram bocas de poço a partir de data desconhecida

— “Galeria das Nascentes”, também chamada “dos Olhos de Água”, que ostenta a fractura que divide em dois a parte hoje visitável do monumento. Nesta fenda brota a água proveniente do lençol freático e que irrompe inundando toda a área das galerias.
( fonte: documentação do Museu da Cidade, Lisboa)

Ainda assim, é interessante ver a associação desta estrutura com Esculápio, o Deus Romano da Medicina, com o local que se viria a tornar, séculos mais tarde, a cidade de Lisboa. Contrariamente ao que sucede em locais mais próximos do centro do poder Romano, toda a Península Ibérica parece ser associada com divindades mais pacíficas e benevolentes.

Em suma, as Galerias Romanas em Lisboa acabam por ser um local que vale a pena visitar, mais por curiosidade que qualquer outra razão. Pessoalmente, eu devo confessar que esperava algo mais ao estilo das Catacumbas de Roma, e essa acaba por ser a única razão pela qual eu fiquei um pouco desiludido após a visita a este local em particular.

As 7 Maravilhas do Mundo Antigo

Confesso que tinha um artigo sobre a Mitologia Egípcia planeado para hoje mas, no espírito das “Novas 7 Maravilhas do Mundo”, resolvi escrever um artigo sobre as já desaparecidas maravilhas, até porque um criança de 10 anos faria melhor trabalho do que aquele que foi apresentado na televisão portuguesa.

Após pensar bastante no assunto, achei que não me seria correcto fazê-lo sem deixar bem clara a minha posição em relação ao evento de hoje, pelo que tentarei ser breve:

Deixando isto de uma forma muito clara, uma tal eleição é simplesmente ridícula. É, a meu ver, impossível comparar o Coliseu de Roma, um edifício com mais de 1500 anos, com o  Castelo Neuschwanstein ou a Estátua da Liberdade, monumentos com menos de 200 anos. Tais escolhas remetem-se a meras formalidades, possivelmente dadas para promover um ou outro monumento.
Sinceramente, será que algum Americano vai escolher as Estátuas da Ilha da Páscoa em detrimento da Estátua da Liberdade? Duvido!
Será que os habitantes do Camboja, grande parte dos quais nem deve saber o que é um computador, virá à internet para votar em Angkor Wat , ou seja no que for? Duvido!
Cristo Redentor? Bem, se é para votar nesse monumento, porque não se vota no tão lisboeta Cristo-rei ?
Claro que compreendo os benefícios de uma votação online, mas nem toda a gente tem computador, discriminando todos aqueles que, apesar da sua cultura, intelecto ou interesse, não têm acesso a meios para nela votar…
Para acabar este “desabafo”, quero deixar uma crítica ao programa em questão: se eu quisesse palhaçada, ia ao circo. Num evento com esta importância (….) esperava ver mais informação sobre cada uma das Maravilhas, em detrimento de ouvir a Shakira , a “Tia Amélia” ou algum cantor que vendeu alguns discos a tentar ganhar a vida. Ainda para mais, um evento que misture o Cristiano Ronaldo com o  Neil Armstrong só tem um adjectivo para o classificar: ridículo!

Agora, indo ao que realmente importa, um artigo sobre as Sete Maravilhas do Mundo. Devo dizer que esta lista nunca foi votada, aparecendo inicialmente no trabalho do grego Antípatro de Sídon . Existe alguma informação sobre a existência de outras listagens realizadas na Antiguidade, mas infelizmente as suas componentes estão hoje perdidas.

O Colosso de Rodes, estátua de cerca de 30 metros de altura, adornava o porto da famosa cidade. Diz-se que esta estátua de Hélios era feita de bronze, apresentava numa das mãos uma tocha que servia de farol e estava situada acima da entrada para o porto, pelo que todos os barcos teriam de passar por baixo das pernas do deus.
Apesar da sua grandiosidade, esta estátua foi destruída por um terramoto menos de 100 anos após a conclusão da sua construção. Quanto aos seus vestígios, diz-se que foram vendidos a mercadores árabes, pouco tempo tempo após esta catástrofe.

A Estátua de Zeus em Olímpia era, de acordo com as descrições, uma figura com cerca de 12 metros de altura, feita de ébano e marfim. De acordo com as descrições, olhar para uma tal estátua fazia os mortais esquecerem todos os seus problemas, o que poderá ser uma interessante prova da sua beleza.
Tal como sucederia a muitos outros templos, também este teria todo o seu conteúdo destruído. Não se sabe as circunstâncias exactas, com grande parte dos autores a admitirem que pode ter sido destruída pelos cristãos, de modo a garantir um maior afastamento das religiões pagãs.

O Farol de Alexandria, com uma estrutura de cerca de 130 metros e cuja luz chegava a uma distância de mais de 50 Km , estava situado na ilha de Faros, perto do Egipto.
Por volta do ano 1350 d.C. a estrutura seria vítima de um terramoto, que eventualmente conduziria à sua destruição.

Os Jardins Suspensos da Babilónia, localizados no actual Iraque, eram um interessante complexo de terraços que apresentava os mais belos jardins da Antiguidade, apesar de ter sido construído no meio de um deserto. Infelizmente, pouco mais se sabe sobre os mesmos, até porque as provas da sua existência se remetem a documentos antigos.
Foram destruídos na sequência de um terramoto, por volta do século 1 a.C.

O Mausoléu de Halicarnasso (ou Mausoléu de Mausolo ) era um gigantesco túmulo feito para o falecido Mausolo pela sua mulher, Artemisia . Estava decorado com motivos da mitológicos grega em toda a sua extensão e, segundo reza a lenda, foi concluído mesmo após a morte da própria Artemisia , pelo que se tornaria não só um monumento aos dois amantes (como viria a acontecer , séculos mais tarde, com o Taj Mahal ) mas aos próprios construtores.
Situado na actual Turquia, foi destruído por um terramoto por volta do ano 1500 d.C., tendo os seus restos sido usados para a construção de outros edifícios. Hoje em dia os seus vestígios resumem-se a algumas pedras a assinalar o local.

Sobre a Pirâmide de Guiza, Guizé ou Quéops (entre outros nomes), não há muito que se lhes possa dizer. Como é óbvio, ainda por lá estão e podem ser facilmente visitadas, pelo que existe extensa informação sobre a mesma.

O Templo de Ártemis, situado na actual Turquia, era um dos maiores templos Gregos. Originalmente consagrado à famosa deusa da caça, apresentava mais de uma centena de colunas de uma altura mítica e uma lindíssima estátua da deusa. Segundo os relatos da época, o magnífico templo dava a sensação de chegar aos céus, sendo considerado por alguns como a mais bela de todas as Maravilhas.
Após sobreviver a séculos de conflitos, e por estranho que pareça, este templo foi destruído por um único homem, que em busca de fama eterna lhe pegou fogo. Assim, hoje em dia só os vestígios de uma única coluna do templo podem ser vistos no local.

É interessante constatar o destino geral destas Maravilhas – quatro delas foram destruídas por terramotos, duas pelo ser humano, e uma ainda subsiste, no seu deserto de sempre…